Li o livro de Ione Mattos
com prazer e com surpresa. Passei
horas intensas e prazerosas, tiraram-me da opressão do que está acontecendo no
país. Como era minha vontade.
Inicialmente, o
título me havia remetido a contos infantis. As crianças estão presentes, mas
envoltas em histórias para os adultos. Adultos, especialmente avós, que
envolvem as crianças rebeldes com sua sabedoria e afeto, numa conjugação enternecedora
de falas.
Não
há moralismos, há confrontos e conversas onde os próprios personagens dizem suas
dores e suas aprendizagens. É a eles que Ione dá voz. O narrador preenche as
páginas do livro com contos de um
cotidiano que rodeia a todos, mas só alguns o veem. Oferece ao leitor histórias
nada comuns, intensas e coloridas de sentimentos. Situações que transbordam
sabedoria de vida de uma gente simples e com forte cor identitária. Há também fracasso
e lágrimas. É a vida dos muitos invisíveis socialmente que preenche as linhas
escritas.
Não
precisaria destacar qualquer conto. No entanto, recente e deplorável acontecimento
onde tentaram desmoralizar um dos símbolos mais importantes da história da
educação do país, Paulo Freire, me fez vibrar de alegria ao ler Waldirene Maria
perseguir seu sonho. Em cinco páginas a personagem deu razão à obra do
educador. Certamente ele aprendeu no seu tempo pré golpe de 1964 com outras
Waldirenes para escrever seu método, aqui está a comprovar sua potência.
A
literatura a alimentar o que há de melhor no ser humano.
Obrigada,
Ione.

Nossa,Maria Rosa,que alento o seu comentário, que leitura sensível e bonita. O que vc deseja como escritora na relação com o leitor- "momentos de surpresa e de cumplicidade"- é a moldura mesma que como leitora vc oferece ao que lê, e é também o que eu valorizo quando leio ou escrevo. Fiquei emocionada com suas palavras, e agradecida. Espero poder abraçá-la pessoalmente quando for ao RGS.
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