O que fazer? Uma pergunta
feita muito tempo atrás continua sempre atual.
Um
político, cuja história o coloca em posição indefensável por já ter estado no
poder, com acusações sérias a serem esclarecidas sobre sua forma de gerenciar a
cidade, com um discurso de ódio e de mentiras e com comportamentos vulgares,
mereceu a maioria dos votos válidos. Votos dos ricos, da classe média e das
periferias que sofreram sob a sua administração. Havia uma alternativa. Uma
mulher que buscou a alegria, o diálogo, o resgate de uma cidade que
privilegiava a cultura, a educação, a ampliação da infraestrutura para a
periferia, com diversas políticas sociais, enfim um governo de inclusão. Havia
um programa que contemplava tudo isso. A história política da candidata e de
seu vice permitia acreditar no que propunham. O fanatismo venceu a razão, a
beleza, o entusiasmo e a esperança. Neste momento, não quero voltar às inumeráveis
análises.
Sei
que não vou desistir de lutar do jeito que puder. Sempre. Mas, neste instante, preciso
me recolher, ficar quieta, juntar e aquietar meus pensamentos, dizer a mim
mesma que haverá outro dia luminoso e precisa ter paciência. Talvez eu não
tenha tempo para ela, já vivi a maior parte da minha vida. Agora necessito
ficar no meu canto em silêncio sem negar a tristeza
Nada de teorias,
nada de explicações, nada de lamentos. Apenas a gratidão por poder isolar-me e
desejar que cada um dos que sofrem por não termos conseguido realizar o sonho,
que nos parecia tão próximo, consigam se recuperar. Que os mais desfavorecidos
socialmente consigam ser protegidos. É preciso, porque o caminho para
transformar o que está aí será muito longo. E eu sei que estarei apenas no
começo.
Vou lembrar dos
meus filhos, dos meus netos, dos meus amigos – próximos e distantes – e me
colocarei num grande e confortador abraço.
Preciso de uma
trégua para que não me faltem as palavras.
Te desejo paz e pensamentos renovadores nesse recolhimento, Rosa. (Dante)
ResponderExcluirNo teu recolhimento estás acompanhada por todos que se permitem sonhar e acreditar. Desse encontro de anseios renasce a força para continuarmos.
ResponderExcluirÉ isso Maria Rosa, agora o que nos resta é o silêncio e o abraço. Sinta se abraçada.
ResponderExcluirRecolhimento necessário. Breve? Longo? Ninguém sabe .... Nem mesmo tu.
ResponderExcluirQue voltes ainda mais lutadora, ainda mais guerreira, ainda mais esperançosa.
Sinta-se abraçada.
Ops. Unknown? Desconhecida? Esse comentário é meu. Vera Muller.
ExcluirQuerida, estou me sentindo um balão murchando. Onde encontrar forças para acreditar que eh possível sonhar vendo tanta manipulação, injustiça, ódio, separatismo????. No momento estou recolhido num canto de meus pensamentos e sinto um vazio tremendo. Já sonhei tanto em dias melhores. O momento era de mudança, mas a grande maioria não percebeu isso. Era a chance de virar a mesa, mas conforme comentários postados aqui o machismo, a repetição de palavras de medo a população que se perguntanda o pq de seu voto não sabe responder. Foi levada feito gado ao matadouro sem questionamento algum.
ResponderExcluirEspero ainda poder voltar a sonhar, mesmo que seja por um instante, mas estou feito o balão que insiste em murchar.
Me sinto abraçado em teus textos querida.
Desculpas estou confuso de verdade
Há tempo de colher,mas há tempo de arar a terra,semear, reger. Tempo de espera,de cuidado e paciência até colher os melhores frutos.
ResponderExcluirÀs vezes a terra não está pronta, tem que revolver, adubar. Só assim vingará!
Minha precisão neste momento também é esta: ficar no meu cantinho sem negar a tristeza. Minha neta Clara me disse no domingo que o que ela quer na vida é que ainda exista mundo depois que ela se for, e isso me doeu fundo. Mas também me deu esperança. Há muitos jovens neste mundo que, como nós, vão viver buscando um sentido coletivo para a vida. E enquanto aqui estivermos, vamos estar ao lado deles, né? Também queremos que exista mundo quando nos formos, e um mundo social mais justo e esperançoso e feliz. Abraço apertado, minha amiga.
ResponderExcluirSim Maria Rosa, talvez o que nos reste agora seja o recolhimento e o desejo de um abraço amoroso e acolhedor daquekes que fazem parte do nosso universo afetivo. Recebe o meu.
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