Sentados nos
bancos em frente ao hospital vê-se um movimento incessante. Homens e mulheres
caminham num vai e vem maior que em muitas das cidades do interior de Estado.
Sabe-se que devem ser parentes, amigos ou conhecidos de alguém internado em
algum dos tantos quartos. Também alguns funcionários com seus uniformes verdes,
e algum médico com roupas brancas.
Um mundo muito
distante do cotidiano de afazeres prosaicos, de trabalho ou de entretenimento.
Esta distância não é medida em quilômetros. A algumas dezenas de metros a vida
corre veloz sobre quatro rodas ou levada por pés apressados. A vida
movimentando-se em frequências diversas. O parâmetro que os confronta é a
intensidade. Há uma luta pela vida por aqui onde pode ser agarrada ou perdida
na trajetória sobre uma corda bamba.
Quando um amigo
está nesta corda bamba a proximidade é a do microscópio. Sua dor funde-se com a
dor dele e de seus familiares. Não há como negar a visão do que é descoberto. O
desejo de que tudo não passe de um susto, de que o diagnóstico seja um
equívoco, de que o inusitado aconteça, porém, adormenta momentaneamente
qualquer racionalidade. O tempo é marcado pela espera do que vai acontecer. Não
existem ponteiros. Existem os boletins médicos, os sentimentos, a resistência a
perspectivas da ciência.
No mundo lá
fora, existem os caminhos de acesso a este do atendimento. Um mundo ameaçado
hoje em nosso país por interesse escusos. Junta-se então a gratidão porque
nosso amigo ou familiar está sendo atendido hoje. Evitamos pensar sobre o que
acontecerá conosco e nossos filhos. Muitos sequer têm consciência do futuro
ameaçador. Lutam pelo sobrevivência diária com esforços gigantescos.
São tantos os
temores. Por hora, o que podemos fazer é envolver nosso amigo ou familiar com
todo o afeto possível em sua luta pela vida. Um remédio a par com os meios da
medicina. Rede de energia na qual boa parte de nós acredita. Não é questão de
ver, mas de sentir.
O que vai nos
atingir mais adiante, mas não vemos, fica para depois. Quem sabe as coisas
mudam. Quem sabe nosso amigo ou familiar se salva. Quem sabe tudo é um pesadelo
e acordamos.
Lindo texto Maria da Rosa.
ResponderExcluirObrigada. Um abraço.
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