Ando descrente
no poder da palavra. Por isso, talvez, esteja com dificuldade de escrever os
sentimentos diante das notícias sobre o país e o mundo.
Não tenho
conseguido ler textos até o fim, vagueio por manchetes que continuam a me
assombrar. Frequentemente sinto-me derrotada. Algumas vezes, cada vez menos,
surpreendo-me diante da estupidez humana.
E eis que, num
domingo à tarde, me vejo sacudida pela ordem de um desembargador para soltar
Lula. Descrente na justiça (com letra minúscula) do país, ressurge a esperança
na Justiça. Mas o ódio não descansa nunca e os seus defensores, mesmo não
estando de plantão, aliás estavam de férias, anulam a sentença com
justificativas distorcidas a seu bel prazer. É o escárnio de quem se garante no
posto e não deve a verdade a ninguém. Quem afirma são inúmeros juristas de
renome que denunciam a manobra da justiça que por hora está no poder.
Outro poder, o Quarto,
alimenta as mentiras. Um desvairado pseudojornalista chega a publicar o número
do celular do juiz a favor da Justiça. É preciso ameaçar também para que outros
não se insurjam contra a Casa Grande como diz Mino Carta.
Desta vez, no
entanto, o desmascaramento do complô para manter Lula na prisão é tão amplo que
até as algumas televisões internacionais mostraram o desmando que impera por
aqui.
Em bem humorada
gravação, Gregório Duvivier, nos mostra como a informação justa não demove os que
se nutrem do ódio. A estes não adianta explicar, nem desenhar, o
desmantelamento das mentiras veiculadas. A origem de suas convicções está em
outra seara, em sua formação, em origens culturais e psicológicas. Isto explica
em parte, porque os agora donos do poder têm em suas mãos a mente de boa parte
da população.
Mas este domingo
ficará na história. Como ficarão todos os registros escritos e televisionados que
desmentem o imaginário criado para manter preso quem não é culpado. E soltar quem
o é. Voltei a ter esperança na palavra. Ela está funcionando como um
antibiótico, é preciso esperar seus efeitos.
No caso do
Brasil, a infecção é tão potente que beira um câncer. É preciso esperar e
torcer que os remédios ministrados ajam antes da sua total destruição.
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