terça-feira, 10 de julho de 2018

Domingo inesquecível


Ando descrente no poder da palavra. Por isso, talvez, esteja com dificuldade de escrever os sentimentos diante das notícias sobre o país e o mundo.
Não tenho conseguido ler textos até o fim, vagueio por manchetes que continuam a me assombrar. Frequentemente sinto-me derrotada. Algumas vezes, cada vez menos, surpreendo-me diante da estupidez humana.
Tem diminuído também minha esperança de que as mentiras e as deturpações dos fatos veiculados pela imprensa dominante sejam em algum momento desmascaradas. Aliás, enquanto o poder da mídia estiver nas mãos de uns poucos e grandes grupos, continuará o envenenamento da mente da população.
E eis que, num domingo à tarde, me vejo sacudida pela ordem de um desembargador para soltar Lula. Descrente na justiça (com letra minúscula) do país, ressurge a esperança na Justiça. Mas o ódio não descansa nunca e os seus defensores, mesmo não estando de plantão, aliás estavam de férias, anulam a sentença com justificativas distorcidas a seu bel prazer. É o escárnio de quem se garante no posto e não deve a verdade a ninguém. Quem afirma são inúmeros juristas de renome que denunciam a manobra da justiça que por hora está no poder.
Outro poder, o Quarto, alimenta as mentiras. Um desvairado pseudojornalista chega a publicar o número do celular do juiz a favor da Justiça. É preciso ameaçar também para que outros não se insurjam contra a Casa Grande como diz Mino Carta.
Desta vez, no entanto, o desmascaramento do complô para manter Lula na prisão é tão amplo que até as algumas televisões internacionais mostraram o desmando que impera por aqui.
Em bem humorada gravação, Gregório Duvivier, nos mostra como a informação justa não demove os que se nutrem do ódio. A estes não adianta explicar, nem desenhar, o desmantelamento das mentiras veiculadas. A origem de suas convicções está em outra seara, em sua formação, em origens culturais e psicológicas. Isto explica em parte, porque os agora donos do poder têm em suas mãos a mente de boa parte da população.
Mas este domingo ficará na história. Como ficarão todos os registros escritos e televisionados que desmentem o imaginário criado para manter preso quem não é culpado. E soltar quem o é. Voltei a ter esperança na palavra. Ela está funcionando como um antibiótico, é preciso esperar seus efeitos.
No caso do Brasil, a infecção é tão potente que beira um câncer. É preciso esperar e torcer que os remédios ministrados ajam antes da sua total destruição.

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