quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Mão direita




Um olhar carinhoso diante de mim e eu feliz. Peguei a caneta, sorri e curvei a cabeça para escrever uma dedicatória. A mão começou a tremer e meu corpo acusou lembranças de momentos semelhantes. Forcei a escrita. Minha letra não apareceu, traços irregulares desenharam as palavras ditadas pelo cérebro. Respirei fundo, nada. Distonia em meus movimentos e a vontade amarrada. Momentos significativos de minha vida se apresentaram, enquanto lutava pelo controle de mim mesma. Pânico por não conseguir assinar meu nome, angústia que me fez segurar a mão direita com a esquerda para terminar um texto enquanto o tempo se extinguia, aceitar oferta para preencher pequeno formulário. De alguma maneira, situações ligadas por uma mesma carga emotiva que escapava pela mão direita, aquela que escreve desde pequena, que produziu as primeiras frases, que me levou a um mundo de histórias e reconstrução de mim mesma através das palavras. Ela é que deixava escapar o que estava muito bem escondido em mim a ponto de ficar surpresa com a reação. Desculpei-me de alguma forma com a dona do olhar, suspirei, respirei fundo, não lembro o que escrevi. Ordenei a mim mesma para não dar vexame, havia muitas pessoas esperando. Estavam ali para confirmar seu afeto e compartilhar alegria comigo. Não sei quantas amigas e amigos levaram a prova de meu alterado estado emotivo. Não sei se consegui expressar meu contentamento e minha gratidão por aqueles momentos. Não pude contar o tempo que levei para controlar minha emoção. Por que era tão importante fazê-lo? Por timidez? Por pudor?  Talvez sejam esses sentimentos que me fizeram produzir o livro. Talvez eles também quisessem se mostrar. Minha única certeza é o desejo de emocionar quem for ler o livro que autografei.





4 comentários:

  1. Com certeza, muita emoção com inesperados desdobramentos. Compreensível e sinal da tua sensibilidade. Parabéns mais uma vez pelo livro e pelo lançamento na Feira do Livro!

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  2. Teu autógrafo revela tua emoção e a leitura do teu livro me despertou muitas emoções. Bravo amiga! Beijos, Bel

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  3. Com certeza vai emocionar vózinha! Grande beijo

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