Relembro,
então, as manifestações que têm ocorrido em Porto Alegre para que projetos
insanos não progridam, para que não prevaleçam interesse imobiliários, e para que
a revitalização da orla mereça ser feita à base dos interesses de toda a cidade
com o cuidado de não lhe levar ordas de veículos e concentração de massa
construída num lugar com uma já grande densidade populacional. Isto, além de
tudo, alteraria o microclima do centro e dos entornos, com todas as
consequências para uma pior qualidade de vida, direta ou indiretamente, de toda
população.
Não
é por falta de estudos que Porto Alegre deve aceitar um projeto com centro
comercial, hotéis, prédios de dezenas de andares a fazer cortina para a brisa
que suaviza o calor nas ruas já emparedadas de grandes edifícios e onde
circulam milhares de pessoas todos os dias. Quem se beneficiaria com isso? Esta
é a pergunta a ser respondida com honestidade.
Não
é por falta de conhecimento e de exemplos pelo mundo afora que não possamos
escolher um projeto que harmonize um menor impacto nas margens de nosso rio com
a sua modernização para que mais e mais pessoas usufruam do que ali for feito.
Não
temos aqui testemunhos da grandeza de uma estrutura greco-romana, mas temos as
instalações do cais, a usina do gasômetro, a beleza das margens, das águas, das cores e
da brisa de um lugar que pode e deve ser apreciado e usufruído por todos. Sem
escavações e centro comercial é possível remodelar e preservar nossa história.
Então o que se
fizer ali não pode se render à lógica dos negócios e dos rendimentos que dizem
respeito a apenas uma parte dos habitantes da cidade e à custa de alguma perda
para todos.
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