quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Respingos

Acordei mais cedo que o costume. O primeiro pensamento que abriu caminho foi o de incredulidade com o que havia sido feito com o Estado no dia anterior.  Mas era verdade. Milhares de famílias jogadas na insegurança pela injusta perda de seu emprego. Uma tragédia cujo sentido só é mais profundo quando se pensa na insensibilidade dos que a provocaram e continuam a usufruir dos benefícios do Estado como se tudo estivesse no lugar certo. Como se os que estão no poder fossem diferentes e melhores, como se não fossem responsáveis pelas suas decisões, como se não houvesse outro caminho, como se apenas os que os antecederam tivessem provocado a situação.
Mas há outras consequências tão perversas quanto a primeira. A morte dos meios de produção e veiculação da cultura local como responsabilidade de um Estado democrático. A morte de espaços de pesquisa, a morte de espaços que deveriam ser ampliados para dar maior qualidade de vida à população do estado, a morte das fontes de construção de conhecimento necessários ao melhor funcionamento dos espaços sociais. De quem é essa responsabilidade senão de quem foi eleito sob a égide que O Rio Grande é Meu Partido?  E o que é tudo isso senão o enfraquecimento do tecido social, das relações sociais e a consequente piora nas já deterioradas condições de vida das pessoas, processo desencadeado por um violento desmonte da economia nacional . O mais perverso disto tudo é movimentar um mecanismo cruel sob o manto da mentira, porque em nome de contas mal feitas, de uma economia ínfima com o fechamento das instituições, de uma desqualificação dos serviços prestados pelas FZB, CIENTEC, FEE, TVE, FM Cultura, FDRH.
 O atual (Des)governo assumiu sem ter um Plano mínimo e demorou cerca de um ano e meio para propor algo para a segurança. Aliás, ao assumir, sua primeira medida para a área foi anular concurso feito pelo Governo anterior. Não foram pensadas as responsabilidades do Estado e a falta de medidas contra a sonegação, contra privilégios a poucos e poderosos. Joga-se com a desinformação da maior parte do povo que é abastecido cotidianamente pelo pensamento único da grande imprensa. Povo, que tem que trabalhar cada vez mais para sobreviver e que não participa das instâncias de discussão e análise do que acontece. Povo, cuja escola para seus filhos vem sendo paulatinamente deteriorada. Povo, cujo acesso à cultura sempre foi um privilégio de uma minoria. Da incompetência - termo que pode englobar outras incapacidades da equipe que está no poder - em tomar medidas que ampliem as receitas dos cofres públicos, do descompromisso com o gerenciamento do bem público, da despreocupação com a qualificação dos Serviços à população, da crítica rasteira ao Governo anterior, surgiu o descalabro.
Uma receita prevista pelos que acompanham as artimanhas e as bandalheiras do poder com o beneplácito de boa parte da população.

Tomara que do lamento e da indignação surjam forças para mudar tudo isso. No entanto, o caminho se mostra longo e muito sofrimento continuará a acontecer. Os respingos atingirão a todos independente de nossa vontade.

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