segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Um passeio com Arte e História

Mergulhar nos cenários do passado histórico do estado é uma experiência rica de emoções e de surpresas, principalmente para aquele que, por alguma razão, não tem o salutar hábito de revisitar suas raízes.  Uma recente visita a Piratini propiciou partilhar prazerosamente diferentes cenas cotidianas da época da Revolução Farroupilha.

As dramatizações substituíram a narração didática linear. O enaltecimento de figuras proeminentes foi substituído por diálogos entre algumas elas, captados como que por acaso. Assim, o grupo assistiu ao encontro entre lideranças diante do Palácio onde funcionou o Governo Provisório da República Rio-Grandense 1836-1845, na antiga Rua Clara, hoje Rua Gomes Jardim.  Da mesma forma, numa esquina, ouviu-se um guri distribuindo o jornal O Povo, acompanhou sua volta ao lugar onde foi impresso, para entregar ao jornalista Rossetti  o dinheiro da venda. Em seguida a conversa deste com Garibaldi, diante da casa que foi gráfica e moradia de ambos. 


A visão de Barbosa Lessa menino, diante daquela que foi sua casa. A beleza de sua narrativa encantou e transportou os presentes ao longo dos anos que viveu ali e para o mundo da literatura gaúcha, um dos resgates das histórias locais que enraízam e fortalecem a identidade.
A voz de figuras comuns também foi ouvida. No diálogo entre duas mulheres  que, passeando na praça, expressavam seus anseios em relação ao casamento e aos temores pelos homens que iam à guerra.  Outras duas mulheres diante da Camarinha, a comentar os acontecimentos locais. Falas entre escravas sobre suas lides domésticas: lavar roupa e cozinhar. Também sobre seus descansos com a saída dos donos, ou mesmo, de suas fantasias, como a de experimentar as roupas lindas da sinhá. Conversas entre os membros de uma das grandes famílias que passeava pela, hoje denominada, Travessa Manoel R. Lucas. Explicações envolvidas em folclore sobre a arquitetura e materiais de construção empregados naquele tempo. 

Enfim, um pequeno mosaico de Piratini dos anos 1830 e 1840, onde não poderia faltar o Hino Rio Grandense, cantado com paixão pelos artistas da terra e pelos presentes.

A recuperação de fatos cotidianos, que chegam apenas a leitores aficcionados, tornou possível um mergulho na época, não apenas nos fatos históricos usualmente ressaltados, mas sempre policromáticos, como também com experiências prosaicas da vida comum.  

À tardinha, uma surpresa.  No balcão do hotel, o “jornalista Rossetti”  foi quem atendeu com um sorriso, em seu trabalho cotidiano somado ao do teatro recém desempenhado. Passado e presente num entrelaçamento entre trabalho, diversão, cultura e arte, com os pés na história que alguns contribuem para não ser esquecida.

Um comentário:

  1. eu estava no fim do comentário e tudo sumiu, mas recomeço:
    Como sou uma pessoa "visual", para quem "uma imagem vale mais que mil palavras", gostaria de ter participado dessa experiência, tão bem narrada por ti. Mesmo não estando lá, alimentei minhas baterias com as tuas qualidades de narradora. Adorei, parabéns, beijo da Scyla

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