sábado, 2 de maio de 2015

João e Maria



                As crianças e jovens que vivem nas ruas e em casas de reclusão para menores foram penalizados pela vida que não os protegeu. Os adultos falharam em garantir-lhes um crescimento cercado de afeto e bem-estar, cuidados fundamentais para torná-los adultos em convívio saudável com os outros. Os adultos que falharam possivelmente foram crianças em igual situação e repetiram o que receberam, numa cadeia de sucessões da qual perdemos as raízes. É claro que nem todos respondem a um determinismo biológico e social, mas a vida tem mostrado que essa é a regra.
                No entanto, esta verdade está sendo vista superficialmente por uma grande maioria da população brasileira. Segundo pesquisas nacionais, a alternativa predominante é a punição mais severa. O que se sobressai é a ponta final da realidade que nos circunda, manuseada e mostrada em ângulos ou sombras de acordo com a decisão de alguns centros de poder para (des)informar. Os menores infratores, leia-se “os que pertencem às periferias, pobres e majoritariamente negros”, são tratados como donos de uma racionalidade adulta e maquiavelicamente bandidos. Para tanto são usados incontáveis exemplos para corroborar a classificação. Um argumento rasteiro, quando alguém põe em dúvida este quadro: Queria ver se alguém da tua família fosse atingido por um desses marginais. Como se o fato de ser atingido direta ou indiretamente por um ato violento fizesse diferença na análise e no desejo de encontrar uma solução para evitá-lo.
                De tanto serem veiculados os crimes cometidos por menores sem a devida e esclarecedora origem de como foi gestada essa realidade, responsabilizando única e simplesmente o indivíduo, conseguiu-se instalar um medo generalizado e a surdez aos tantos argumentos sobre o que está sendo feito e o que pode ser feito para transformar o que está ocorrendo. Medo exacerbado exige resolução rápida, ou seja, punição maior, antecipada e mais rígida. Não importam as vozes a gritar que o caminho apontado seja equivocado e que o resultado previsto será maior violência e insegurança.
                O medo nos cega. Enquanto não aceitarmos desviar o olhar de nós próprios, individual e egoisticamente, teremos sempre medo, porque as soluções para os problemas da sociedade precisam dos esforços de cada um, mas coletivamente.
Felizmente, muitas vozes estão se fazendo presentes para mostrar o equívoco de simplesmente reduzir a maioridade penal para buscar uma segurança a que todos têm direito. São vozes que mostram estudos, pesquisas, experiências nacionais e realidades de outros países. Não são apenas desejos de idealistas ingênuos.
Uma das últimas manifestações é a dos ex-ministros dos Direitos Humanos, de todos os últimos governos (FHC, Lula e Dilma), os quais se declararam contrários à redução da maioridade penal, fortalecendo a ideia de melhoramento dos mecanismos já existentes, alguns mal usados, para recuperar os jovens que enveredaram pelo caminho do crime.
É preciso não cortar as possibilidades de retorno para casa dos tantos João e Maria abandonados, porque os pais não podiam dar-lhes sustento. Na história infantil, eles próprios conseguiram salvar-se e encontrar o caminho de volta. No mundo real não há essa possibilidade.
Por tudo isso, a sociedade precisa substituir o medo e a surdez pela esperança e pela vontade de encontrar os caminhos da recuperação e socialização dos jovens infratores. Todos serão beneficiados.

                

sexta-feira, 20 de março de 2015

Vitoriosa



Estava morrendo.
Estava?
A esperança que nela havia
Guiei-a até mim.
Cuidei-a, dei-lhe de beber.

Ofereceu-se vitoriosa.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Nem tudo é preto ou branco

Nem tudo é branco ou preto, há o cinza, existem os tons de cinza e por aí vai. Quando penso nas pessoas, tudo se complica. Os mais recentes episódios envolvendo as manifestações contra o Governo Federal e a Presidenta, a coisa complica mais ainda. Estavam compartilhando o mesmo espaço exigências por democracia, contra a “ditadura” do PT, usando as mais ofensivas expressões por escrito, algumas tão chulas que trariam constrangimento a qualquer um com um mínimo de educação. Ao mesmo tempo, exigiam uma intervenção militar (não é ditadura?) pelo grau de corrupção existente, esquecendo a corrupção sistêmica e focando apenas num partido e na Presidenta. Gestos, comportamentos, palavras de ordem e cartazes que demonstravam desconhecimento de história do país e do mundo, bem como da própria língua materna e mau uso da língua inglesa, além do uso inapropriado e grave neste contexto. Foi ignorada a corrupção existente em outros partidos e segmentos da sociedade, foram vomitados xingamentos que seriam graves se apenas verbalizados em espaço privado, mas escritos e gritados durante as passeatas, envolvendo jovens e crianças, fizeram horrorizar qualquer pessoa com um mínimo de bom senso. Este foi o tom geral amplamente divulgado. Tudo em nome da liberdade de expressão e contra a “ditadura” do atual Governo Federal.
Este quadro tem uma quantidade de detalhes que fazem chorar de tristeza.
Intrigou-me especialmente um. Vi um amigo, generoso, inteligente, companheiro, defendendo o fim dos ptralhas, dos pmdbtralhas, dos psdbtralhas e pptralhas (antiga arena), sem nada afirmativo, só ódio (ele diz indignação), sem defesa de qualquer bandeira. O mais grave é que ele conhece muito bem história, ele sabe o perigo de um vazio que não permanece, algo irá ocupar-lhe o lugar e para pior, muito pior. Ele não, estava muito satisfeito no seu protesto contra a corrupção. Todos com um mínimo de conhecimento estão assustados com este discurso de terra arrasada, sem propostas, sem projetos, sem perspectivas, só o desejo de destruição daquilo que julgam ou gostariam que fossem os únicos corruptos existentes, os únicos responsáveis pelos problemas atuais. E como ele, outros cerraram fileiras com quantos foram para as ruas com estas certezas. Vejo um cinza entre o que estas pessoas são e o que elas defendem que foge à compreensão.
De qualquer forma, o foco foi contra Dilma e PT. Fica a questão: para que serve, quando é enorme a quantidade de fatos e conhecimentos implicados para compreender o que está acontecendo no país? Descartados pela maioria dos que foram às ruas.
Como disse um articulista lúcido, esta e outras manifestações insanas, impedem que se discutam os reais problemas existentes neste governo (sabe-se que os há e que precisam ser superados) e se transfiram energias para defendê-lo e evitar que se percam as conquistas que ele propiciou (que não são poucas e, sim, o começo para pensar um país melhor). Impedem que se discuta uma reforma política que evite a repetição de erros, que melhore a composição do Congresso. Impedem que seja discutida com a nação reforma política defendida pelo presidente da Câmara (ele próprio será investigado no processo Lava Jato) e que mantém contribuições das empresas para as campanhas, origem do caixa 2. Nada disto apareceu na manifestação.
Depois de ter mergulhado na lama espalhada pela manifestação do dia 15/03, vou ficar no aguardo de devires e acontecimentos na concepção deleuzeana destas palavras. Muitas previsões falham, quando se trata do ser humano, alguma aprendizagem há de acontecer.




sábado, 28 de fevereiro de 2015

Encontro na praça




Combinamos de nos encontrar numa quarta-feira. Fomos para o espaço reservado a um café na Praça XV. Lugar simpático, coberto e delimitado por um reparo de madeira e vidro. Há muito não nos víamos e escolhemos o lugar porque ambas gostamos do Mercado. Ao sentar, a imagem de um homem coberto por jornais e deitado na entrada de uma porta fechada nos atingiu pesado, um primeiro estilhaço na harmonia do momento. Já havíamos feito o pedido e, com um olhar pesaroso, esboçamos um início de conversa. Ela expressou o desejo de ir ajudá-lo. Um gesto abortado. Ele, um homem jovem, levantou pouco depois, com o andar enviesado e olhar fixo à sua frente. Lembramos de trocar de lugar as nossas bolsas. 

Tínhamos muito a nos dizer, após nos abraçarmos e rirmos com a mudança na cor de nossos cabelos. Junto a um expresso e os tradicionais pãezinhos de queijo, falamos sobre filhos, dificuldades, viagens, amigos em comum, as lembranças foram desfilando atravessadas por risadas e descontração. Um rapaz mal vestido passou entre as mesas e o olhamos desconfiadas. Era apenas um catador de latinhas, dissemos. A conversa continuou e, pouco depois, um sorriso desdentado numa cara jovem se aproxima e pede uns trocados para um café. Alcanço-lhe uma nota e repito-lhe que é para um café, ele me responde enrolado que sim, porque ele tem HIV e não pode tomar álcool. Próximo e arrastando um carrinho, outro jovem pergunta se pode pegar o pedaço de pão de queijo que sobrara no prato. Ambos se afastam devagar. Têm a aparência do estrago que lhes faz a rua, mas os traços bonitos de quem teria a vida pela frente para ser vivida. Continuamos a trocar nossas histórias, sem comentários sobre o que víamos.
      A tarde terminava e resolvemos entrar no Mercado para algumas compras. A mistura de cheiros, o burburinho, as bancas de objetos antigos, nossas sacolas com peixe e verduras, emoldurou o passeio pelos corredores. Ficamos felizes de reafirmar aquele lugar como nosso, da nossa cidade.
    Despedimo-nos agradecidas por aquela confraternização e não conversamos sobre as testemunhas de um mundo que queremos que mude. Talvez, o egoísmo de saborear a presença uma da outra tenha prevalecido. Tenho certeza, no entanto, de que para ela também ficou a marca de um borrão sobre a nossa alegria. Um borrão que saiu de uma boca desdentada e de alguns olhares desesperançados, impossível ignorar.

domingo, 12 de outubro de 2014

Moacyr Scliar, diálogo com o planeta





O visitante é recebido com um grande painel à direita onde é exposto um merecido louvor a Moacyr Scliar, que soube absorver “plenamente o seu lugar, o seu tempo e a sua circunstância cultural”, nas palavras de Carlos Gerbase. Através de sua obra, ultrapassou as fronteiras da sua “província” e alcançou o mundo, mantendo sempre ativa a capacidade de diálogo.
            Uma espécie de túnel à frente nos convida a percorrê-lo, não antes de assistir em vídeo alguns registros dos antepassados vindos da Bessarábia e dispersos pelo mundo, alguns dos quais chegados a Porto Alegre, bairro Bonfim. Gente que fugia de pequenos povoados do Império Czarista onde era submetida a constantes agressões e humilhações. Gente com esperança de um mundo melhor, sem grandes bens materiais, mas com um tesouro entranhado na cultura e nos valores com os quais foi se reconstruindo na nova pátria.
            Caminhar pelo trajeto, ladeado por paredes com a reprodução de algumas fotos, nos faz rever rostos e lugares recém expostos no vídeo. Sabe-se de antemão que, ao final, entraremos no mundo de Scliar. Seria intenção dos organizadores oferecer uma fração da expectativa daquela gente que se lançou ao desconhecido? Muito do escritor é de domínio da maioria dos visitantes, o que será visto  na mostra? Ultrapassado o percurso, começa-se por registros de momentos que marcaram sua vida.
            É possível associar as imagens dos antepassados de Scliar a outros grandes movimentos humanos, cuja existência se assemelhava no desejo de um mundo melhor. Antes dos judeus, vieram alemães e italianos para o Rio Grande do Sul. Também eles, velhos, crianças, jovens, homens e mulheres, em grandes navios, sem qualquer conforto e com incontáveis riscos, numa aventura com muitas dores e esperanças.
            Imagino que conflitos os acompanharam, mas o que os unia era um desejo comum de se estabelecer no novo mundo para viver e oferecer aos seus filhos uma terra livre dos sofrimentos do passado. O amálgama para fortalecê-los seria a própria cultura. Conhecemos parte da história, contada por Scliar em suas obras e apresentada neste espaço. Outros escritores narraram a saga de alemães e italianos. A terra que encontraram nem sempre foi generosa, mas foi um lugar promissor, onde até hoje vivem seus descendentes.
            Histórias de muito trabalho, de tempos felizes e temerosos, tempos de possibilidades e de criação, tempos de construir uma nova pátria, sem descurar das origens. Muitos o fizeram e deram voz aos sentimentos mais nobres, o homenageado destra mostra é um exemplo disso. E, ainda, temos outros.
            A memória de tudo isso torna inverossímil, hoje, que descendentes destes povos exponham um rancor tão exacerbado pelo outro, quando esse outro é diferente. Especialmente neste período de eleições, é assustadora a constatação de como manifestações de ódio, de racismo e de intolerância encontram eco em milhares de sujeito anônimos que, além de tudo, elegem como seus representantes os que expressam esses sentimentos.

            Muitas perguntas podem e deveriam ser feitas. Por que os sofrimentos de um povo não são capazes de evitar o surgimento, do seu interior, de lideranças desmeroriadas que repetem de alguma forma os mesmos abusos? Estaria o germe do rancor sofrido alhures encubado nos que vieram? O que foi feito dos sonhos destes antepassados de construir um mundo melhor? O bem estar econômico foi alcançado pela grande maioria dos que aqui chegaram. No entanto...
Parece ter sido esta a origem das ideias de meritocracia e individualismos exacerbados, alguns se dizem vencedores devido às origens de além mar e a seu esforço, nada receberam de ninguém. Esquecidos da história culpam individualmente cada um pela exclusão social.  Mesmo neste caso, seria suficiente para explicar a desfaçatez do desprezo pelo outro que lhe é diferente?
Temos que ir mais fundo. Um dos caminhos valiosos será retornar  Hanna Arendt para refletir sobre a banalidade do mal, construído de forma sorrateira, ininterrupta e institucionalizada.  É nos interstícios das ações cotidianas que se constroem as miríades de subjetividades, dentre as quais algumas que negam todo esforço das gerações precedentes em viver de acordo com sua cultura, mas num diálogo permanente com qualquer outra, como fez Moacyr Scliar.
           

             
           

domingo, 7 de setembro de 2014

Rastros






            Olho as imagens e me sinto lá, a distância some e o tempo pára.
            O céu azul com rastros de um branco intenso desenhados pela silhueta quase translúcida do avião  que os arrasta, à semelhança de um fantasma que vai sumindo nas alturas. Paisagem que meus olhos enquadraram para um foto. Os riscos brancos, antes de sumirem, se aproximaram da renda produzida por nuvens que se moviam lentas e mais abaixo, em sincronia com o momento.

            A casa, ao meu lado, sólida e indiferente às mudanças lá de cima, testemunha uma história que também é minha, embora tenha nascido há algumas centenas de metros dali. Os galhos argentados do pinheiro próximo dão sombra à parede lateral e emolduram o teto soberano. A chaminé em descanso, porque os dias quentes não lhe exigiam fumaça.
            De outro ângulo, outro avião risca o azul e, desta vez, parece anunciar o choque com o lado norte da casa, não fosse a distância que os separa. Lembra a cena trágica de uma dezena de anos atrás do outro lado do oceano. Mas, aqui não há catástrofe, apenas o movimento constante de aéreos comerciais somados aos da base militar próxima e que foi parte do preço pago pela liberdade no fim da segunda grande guerra. A função dos aviões militares não são de domínio público, a base não é da nação, é terra concedida a um dos países libertadores. Ironia, sofrer ou fazer mal, tão ligados à ideia de libertação numa contaminção odiosa, mas esquecida pelas atuais gerações. Mais ao poente, outro avião risca o céu, cruzando linhas anteriores que já se dissolvem, desenhando um quadrado irregular. Testemunhos de um movimento quotidiano intenso.

            Em poucas semanas, depois de registrar essas imagens, eu também estaria voando naquele céu para retornar ao lugar escolhido por meus pais para viver. Eu também faria parte da produção de um rastro,  mas eu não o veria e também se dissolveria como os precedentes. Minha perspectiva seria outra.
            Lembro que, após viver aqueles instantes imersa no que me circundava, tive que me apressar para mais um encontro, tal como fiz várias vezes no tempo em que ali estive. Um convite para almoçar e a certeza de uma acolhida com afeto. Deixei os rastros de céu e me envolvi naqueles que devia seguir pela estrada e que me levariam ao redor de uma mesa preparada com esmero, reavivando lembranças e emoções.
            Os diferentes convites, senti-os como  rastros imaginários que me atraíam e não apenas para contemplar até seu desaparecimento. Não os vi retilíneos, mas desenhados pelos meandros dos sentimentos que os suscitaram e mais parecidos com a delicadeza de uma teia produzida pelo afeto.
            Uma tessitura que só pôde se realizar por troca de olhares e gestos, por perguntas, por rever histórias e compartilhar informações, por uma identificação de semelhanças e diferenças e por um gosto inequívoco de reafirmar que vínhamos dos mesmos antepassados. 
            Rastros provenientes de corações e mentes.


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Lagartixas





            Relembrar os mortos, um dos primeiros movimentos que fiz ao voltar.
No cemitério bem cuidado, acompanhando minha prima na sua visita usual, lagartixas surgiam e desapareciam, talvez fosse o espírito dos enterrados ali, pensei. Poderia ser também o movimento das memórias que se oferecem e, se não colhidas rapidamente, se fundem com a luz da consciência e somem.
A seguir, voltei à casa onde nasci. Triste, vi só os muros externos, seu interior havia desmoronado. A cada retorno ao país, fui visitá-la, mas só fiquei na sua frente com o desejo de entrar e a intenção, jamais materializada, de procurar os donos e pedir para fazê-lo. Agora, só restaram as frestas nas janelas para testemunhar sua degradação. Calculei que a sala, única peça visível, era mais ampla e com pé direito mais alto do que havia permanecido na memória. Como eu teria gostado de vasculhar cada canto.
Volto à frase de Moravia “Il Desiderio è preferibile all’appagamento del desiderio stesso”. Permanecerei para sempre com o desejo de rever a distribuição dos quartos no primeiro andar, a escada para os quais conduzia, a porta que comunicava a moradia à oficina de meu pai ou a coifa acima do fogão à lenha que sustentava as grandes meias à espera da Befana, no dia de Reis. No entanto, abandono o pensamento de Moravia, preferiria realizar este meu movimento sempre truncado, e lamento minha indecisão de buscar os meios para penetrar neste mundo que há poucos anos existia à minha espera. Parei sempre na porta fechada e lacrada, como lembro de ter feito em outras situações ao longo da vida. Indecisão que encaro como traição a mim mesma, porque relegada ao esquecimento, obstáculo não suplantado. Mais uma vez, o que podia ter feito não fiz. Não há mais tempo.
            De todos os ângulos possíveis vejo a casa que desmorona, a morte lenta de um lugar que abrigou muitos sonhos e temores, as vidas que por ali passaram, umas se foram para o além mar, outras se foram cumprindo o ciclo da vida.
            A casa onde se nasce e se cresce é como um templo. Às vezes ultrajado, pode ser refeito e ter outros habitantes, sempre templo. Lamentável é seu abandono, sem lagartixas a lampejar lembranças do que foi vivido.
            É tempo de agarrar recordações no espaço externo que se foi transformando, mas continua a testemunhar memórias.