As manifestações
de ódio lidas no face me deixavam
muito mal até pouco tempo atrás. Bloqueei muitos dos que as escreviam nos
comentários, porque não queria que contaminassem a minha página. E continuo não
querendo. Alguns dos meus “amigos” também foram excluídos, nem tanto por
manifestações de ódio, mas pela reprodução de mentiras sem critério de sites
criados para alimentar um clima permanente contra PT, Lula, Dilma e suas
políticas sociais.
Horrorizava-me
com a impunidade que beneficiava políticos homofóbicos, defensores da ditadura
e de torturadores, racistas e machistas. O que eu considerava de pior no
cenário político do país me deixava sempre conectada e me fez literalmente
adoecer mais de uma vez.
Mudou alguma
coisa, hoje? Infelizmente, não. Mas, aceitei o convite da Mafalda e fui tomar a
vacina contra o ódio com ela. Porque não deixo de me indignar com tudo o que
continua acontecendo no país, mas procuro não conectar com a impotência diante dos
fatos que estão acontecendo. Gasto o mínimo de meu tempo para tomar
conhecimento deles. Antes, procuro reproduzir as manifestações contrárias, as
ações que continuamente são feitas para enfrentá-las. E há muitas, espalhadas
pelos mais diversos cantos do tecido social. Intelectuais, movimentos sociais,
grupos de mulheres, estudantes, para citar apenas alguns exemplos, registram a
história, movem ações na justiça, vão às ruas e erguem sua voz. O PIG (partido
da Imprensa Golpista, como diz Paulo Henrique Amorim) é que teima em ignorá-las
ou diminuí-las.
Constatamos num
grupo de amigos que perdemos a batalha cultural desencadeada pelo poder das
multinacionais para se apossar das riquezas do país com a cumplicidade de
canalhas nacionais. Grande parte da população foi inoculada com inverdades que
as deixaram cegas e surdas. Mas a história não se imobiliza, o que vale é
continuar junto às forças que querem um mundo melhor. É com a consciência deste
momento da história que temos que lidar. Não acredito que vá ver as mudanças
desejadas, mas estarão aqui meus filhos e netos. E os filhos e netos de todos
dos meus amigos e dos que não o são, que não têm culpa dos desmandos da geração
que está depredando o país.
Reconhecer uma
derrota não é ter sido vencido. É necessário para compreender como continuar
lutando.
É verdade, Maria Rosa, não podemos nos contaminar com ódio e a intolerância que grassam pelo país. Que passemos aos poucos a mostrar os caminhos que projetem mudanças, pelo menos naqueles que se alienam dos acontecimentos. Lutemos com a palavra e com a nossa voz, mas não gastemos energia onde não há espaço plural. Grande abraço.
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