segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Meu cotidiano diante do belicismo de Trump

 

Os EUA atacaram a Venezuela e sequestraram Maduro.
O que significa este fato para mim individualmente? Se eu vivesse parcialmente informada, poderia espantar-me com a agressão perpetrada contra um país sul-americano; ou, ficaria indignada, porque não compactuo com a arrogância dos governos norte-americanos?; ou ficaria perplexa, sem entender tanta ousadia por parte daquele país?; ou, ficaria chocada com a audácia de Trump, considerado um maluco por parte de alguns noticiários?; ou aplaudiria?
Só quem vive em bolhas de fakenews pode festejar.
Acompanho o que acontece no mundo cada vez mais assiduamente. Conheço as invasões realizadas pelos EUA ao longo da história e as consequências catastróficas para os países onde ocorreram. Todas elas por motivos diferentes dos invocados, ou seja, por interesses ocultos (nem tanto), econômicos e estratégicos deles próprios.
Não me cabe analisar a situação para a qual há jornalistas e pesquisadores excelentes e com conhecimentos para isso. A minha indignação e temores são de uma cidadã comum que está atenta aos acontecimentos do mundo, que viveu a história desde a segunda guerra mundial, que sonhou com um mundo melhor, quando havia narrativas para esta utopia no século passado. Infelizmente, o século atual mostrou-se desde o início um desastre e, ano após ano, as ameaças à própria sobrevivência da humanidade aumentam e não nos deixam viver o cotidiano com tranquilidade.
Tenho consciência de que, no Brasil, fomos salvos com a eleição de Lula. Éramos governados por um bando que promoveu o saque do país, e nem quis imaginar o que teria acontecido se o governo anterior tivesse continuado. A sensação é de viver num oásis, apesar de todas as ameaças e perigos que continuam ativos, um deles dentro das nossas trincheiras e se mostra através do regozijo de políticos brasileiros.
Neste contexto, vejo os perigos desta ação dos EUA representa para o meu cotidiano, como o veem todos os brasileiros que acompanham os acontecimentos dentro do nosso país. O que aconteceu na Venezuela não é problema apenas daquele país. Porque sempre tivemos intervenções americanas, que reverberaram no cotidiano através do estrangulamento dos nossos movimentos socias e da nossa imprensa com posteriores mudanças nas nossas diretrizes educacionais, na nossa cultura e na construção de nosso imaginário, ou seja, na produção de nossa subjetividade. Tudo através de ações gradativas e ignoradas pelo grande público. Um saldo, sempre atualizado, sinalizado com a reverência que boa parte da população tem pela língua, pela cultura e pelo modo de viver daquele país, a ponto de se sentir inferior e desprezar o lugar onde vive. Isto chama-se colonialismo, do qual nunca nos libertamos.
Acompanho analistas com diferentes formas de ver os acontecimentos, eles são unânimes em sentir o perigo para o Brasil neste ano de eleições. Não há limites para os EUA com Trump, não há leis internacionais que eles respeitem, mostraram que estão pondo em prática o plano de recompor seu império nas Américas. O Brasil e as posições do Governo Lula são um empecilho, e eles estão se mostrando vorazes sem qualquer barreira que os limite. Um dos analistas mais bem informados e lúcidos reconheceu que não foi capaz de prever a ousadia de um sequestro do presidente venezuelano.
O ataque à Venezuela reforça a certeza e o tom de um cotidiano muito conturbado com guerra de informações e todas as consequências. Meus votos são de que algum acontecimento esteja em gestação e possa mudar os rumos previstos neste início de ano.

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