Olho a foto que mostra o governador no palco com microfone na mão, diante de mil e cem gestores no Teatro da
Feevale em Novo Hamburgo. Só depois, leio a notícia de que o Governo do Estado
lança um Programa de Reconhecimento da Educação Gaúcha. Vou ao texto, leio e
releio. Confiro que está se tratando mesmo do Governo do Estado do Rio Grande
do Sul. Deveria estar no mínimo curiosa e entusiasmada, tenho a escola estadual
no meu coração. O Governo do Estado está preocupado com a Educação. Não
consigo, acompanho a lenta e degradante depauperização do sistema estadual de
educação há muitos anos, especialmente na última década, especialmente no
governo dele. Eu fui professora na escola pública, aposentei-me como professora
estadual.
Ano de 1965, eu chamaria
o ano da virada na minha vida. Fiz concurso para o Magistério Estadual, para
lecionar Geografia no 1º e 2º Graus.
Lembro dos primeiros
meses em que comecei a lecionar como professora de Geografia e me perguntavam o
que eu fazia, eu adorava que me perguntassem, e eu respondia com orgulho “sou
professora do Estado”. Revendo aquele tempo, vejo que não era um status
privilegiado, com salário extraordinário (embora bem melhor do que eu recebia no
emprego anterior), mas minha resposta estava ancorada no sentimento de respeito
e valorização que eu recebia pelo cargo exercido.
Hoje, as notícias
veiculadas pelo sindicato de professores e outras fontes dão conta da
precariedade estrutural de numerosas escolas, tanto físicas como de salários e ausência
de incentivos ao aprimoramento profissional. Este governo conseguiu extinguir
um plano de carreira que protegia minimamente os professores de políticas
arbitrárias. Por outro lado, as notícias veiculadas nos sites governamentais são
de realização de centenas de obras e com um atendimento fantástico à rede. Há
uma guerra de informações que não mascara a grande percentagem de professores
que adoecem, outros que abandonam a profissão, e mesmo o movimento de
diminuição de alunos da rede estadual e o acréscimo na rede particular.
Se não bastasse, os
problemas estão também nos ataques à questão curricular e as tentativas do
governo de colocar sob a orientação de grupos empresariais a condução do
trabalho pedagógico. É a privatização da educação subsidiada por dinheiro
público. Uma trama de consequências nefastas para a formação dos alunos.
Vejo tudo isto e lembro
quantas lutas fez a minha geração por uma escola pública e de qualidade. Esta
expressão me soa tão atávica, de um passado tão remoto que soa inverossímil.
Por Outro lado, o governo
se arvora de sucesso com o tratamento dado à educação, utilizando os dados do ENEM,
onde o Rio Grande do Sul teria se saído bem. Segundo a deputada estadual Sofia
Cavedon, o Estado sempre foi bem no ENEM, e os resultados de agora se sustentam
a partir de escolas de municípios pequenos onde as condições de vida e de
cuidados da escola são melhores. O ENEM não avalia a aprendizagem do Ensino
Médio. O indicador oficial para isso é o IDEB. Em 2023, o Estado perdeu
posições e ficou em 10° lugar no ranking nacional. E o RS tem um dos maiores
índices de jovens fora da escola no Brasil. 44% dos jovens de 15 a 29 anos
trabalham sem estudar.
Por último, a grande alternativa
oferecida pelo governo para melhorar a qualidade do ensino é um prêmio em
dinheiro para os professores e escolas que forem mais eficientes. Um incentivo
à disputa e à meritocracia num quadro como o descrito acima. O que podemos
esperar disto tudo???
Perfeito ! Faço das palavras de Maria Rosa minhas !!
ResponderExcluirSeguimos assim com espanto atrás de outro espanto. Aprendemos muito nesse últimos anos sobre a degeneração e o retrocesso, seja da vida humana ou da história. O espanto se torna resistência, já que ainda nos causa surpresa. Apesar de tudo, não normalizamos esse estado de coisas.
ResponderExcluiruma lástima!
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