Descarto
muitas das informações diárias (já
separadas das falsas notícias). Fico com aquelas que me ajudam a exorcizar a
sensação de impotência. Sempre tem alguma coisa que se pode fazer sem esperar
resultado, apenas por uma questão de ética, como já escrevi em outro texto,
inspirada em palavras da jornalista Eliane Brum. Mesmo assim, nem sempre
consigo responder à pergunta: O que posso fazer?
Então, lembro
uma entrevista do Lázaro Ramos, por quem tenho uma enorme admiração e respeito:
Apesar de tudo, não se pode cansar –
disse ele. Antes disso, havia escrito Na Minha Pele, um retrato do que
acontece na sociedade brasileira em relação ao racismo. Em nenhum momento, há
comiseração ou sentimento de derrota. Há a palavra de um homem digno que sabe o
que ele e os de sua origem sofrem no país. Continua sua luta e resistência em
diferentes frentes. Procuro livrar-me do
cansaço.
Então, assisto a aulas sobre História
da Arte com o André Dorigo, sua mensagem forte sobre o poder da arte para
aceitar diferenças. A arte como criação de tantos estilos ao longo de toda a
história da humanidade. Tantas expressões artísticas, em tantos lugares da
Terra, sob as mais diversas situações. O ser humano é diferença, produz
diferença, encanta na diferença. Reforça minha crença no poder da arte.
Então, participo
de encontros sobre literatura com Rodrigo Barreto. O vasto e profundo
conhecimento, que ele transmite com paixão, nos envolve no mundo de Machado de
Assis, de Clarice Lispector e de tantos outros escritores brasileiros. A
literatura como meio para compreender a produção da subjetividade. Um bom
texto, uma boa história, nos faz compreender o ser humano em suas contradições.
Esta é uma fonte inesgotável de elementos que contribuem para a aceitação do
outro, para derrubar preconceitos. Continuo a desmascarar meus preconceitos disfarçados.
Então, ouço Guto
Leite que me leva a passear dentro de uma obra para olhar as raízes
entrelaçadas com outras obras e outros pensamentos. É como seguir por uma
trilha onde podemos desvendar mistérios a todo momento. Um mundo de
encantamento povoado por narradores de histórias com as quais podemos nos
cotejar e aprender. A paixão pelo que sabe, e compartilha, é contagiante.
Recupero minha crença no poder da palavra.
Então, assisto
os encontros com Gustavo Czekster.
Sinto-me levada pela mão para entranhar nos contos de tantos escritores, alguns
conhecidos, em horas de deleite com a criação de narrativas as mais diversas.
Um mundo que se mostra nas mais diferentes formas. Um mundo de criação que me
distancia do arbítrio, da pequenez, do supérfluo. Confirmo minha paixão pela
leitura e seu poder sobre mim.
Então, ouço Thiago
Rodrigues que fala sobre a Mitologia Grega e os diferentes filósofos, sua
importância e suas ramificações no pensamento contemporâneo. Os questionamentos
que eles propiciam sobre os acontecimentos hodiernos, o peso que eles têm na
formação de um pensamento crítico e independente, apesar das barreiras que o
modo de viver consumista e alienado ergue ao redor de nós. A Filosofia há de
voltar aos currículos escolares. Sabe-se porque foi retirada.
Fico por aqui, com
uma amostra dos acessos on-line em período de distanciamento. Comprovei que milhares
de pessoas, muitas delas jovens, fazem o mesmo. Há um mundo fervilhando com
pensamentos e energias vitais que disputam palmo a palmo o território que
começou a ser tomado por ondas de ódio e de destruição. No início, a maioria parece ter sido tomada
de surpresa. Pouco a pouco, as reações se fizeram presentes e continuam a se
multiplicar em diferentes frentes: política, movimentos sociais, imprensa alternativa,
manifestações nas ruas, denúncias internacionais. Quero acreditar que nem tudo
está dado, apesar de vivermos numa montanha russa sem descanso.
O fascismo nunca
deixou de existir lá fora e aqui, dissemina mentiras e ódio, demoniza a
política como instrumento de representação, nega a ciência e mata a cultura. Mas
os exemplos acima me fazem seguir, lembrando Pedro Serrano “O fascismo ganha,
quando ele consegue fazer-nos iguais a ele”. A cultura nos diferencia, ela é
que vai atuar como um poderoso antibiótico contra a infecção virulenta que
acometeu o Brasil. É preciso um coquetel de medicamentos para curar o país
neste momento. A cultura usa o seu.
É isso, Rosa, precisamos nos alimentar com arte, respirar e prosseguir. Eles não vão nos fazer ficar raivosos e desumanos como eles.
ResponderExcluirEu acredito nis bons que não se cansam... Cada um que resiste, mesmo numa muito silenciosa ruptura destes padrões, é uma pessoa que não se entrega e me dá coragem... Eu adoro ser lembrada de que tu está aí e grita: não aceito! Te admiro profundamente, minha amiga querida ❤️
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