Inacreditável, obsceno,
intolerável são algumas das palavras que me ocorrem ao ler a notícia acerca da
publicação da foto da filha de cinco anos de Manuela D’Ávila nas redes sociais.
O sentimento de horror foi tão forte que precisei afastar-me do acontecido por
alguns dias para poder escrever.
Manuela
é uma figura pública, dedicada à política desde jovem, fez sua opção por um
partido, foi eleita para diversos cargos e possui grande quantidade de
eleitores que a acompanham. Tudo isso é passível de discutir, aceitar, elogiar
ou criticar. Tudo isso pode ser feito de forma ética. Não tem sido assim,
infelizmente. Para falar apenas sobre a última eleição à Prefeitura de Porto
Alegre, sofreu ataques e baixarias misturados a mentiras tão estapafúrdias e
aviltantes que só a ignorância mais absoluta e a maldade mais inimaginável
poderiam produzir. E saltou dos adversários, especialmente de quem venceu a
eleição.
Manuela, no
entanto, é mulher e mãe antes de tudo. Ela já sofreu ataques mesquinhos também
na sua vida privada. E graves. E com mentiras também. A mentira parece ser o
nutriente fundamental desta fatia da população que só sabe se manifestar com
ódio. Já se viu que para esta gente a palavra limite não existe. Mas o último
ataque ultrapassou toda e qualquer noção de civilidade. É a barbárie em sua
potência devastadora. E a origem partiu de outra mulher, de outra mãe. Mulher e
mãe que se pressupõe tenha boas condições de vida, acesso a informações, e pertencente ao mesmo grupo de mães da escola
da filha de Manuela.
A pergunta que
grita é POR QUÊ? Como pode uma mulher nestas condições valer-se da proximidade
que uma escola infantil propicia e e iniciar a distribuição de uma foto nas
redes sociais? E repeti-la. Que sentimentos estão por trás disto? Raiva? Com
que propósito? A mulher que usou desta artimanha previu a onda de ataques que mãe e filha sofreriam? Se
não previu, ela tem que ter suas condições cognitivas e psíquicas avaliadas.
Se, sim, confirma uma maldade que não dá para ignorar. De qualquer modo, deve
ser responsabilizada pelos seus atos e sofrer as medidas legais existentes.
Nem vou entrar
no que aconteceu nas redes sociais por pudor.
Importa-me o que
Manuela D’Ávila escreveu para esta mãe. As palavras e sentimentos expressos
confirmam sua superioridade moral e ética. Sem despejar rancor, deseja que não
aconteça o mesmo com o filho dela e que frequenta a mesma escola infantil. As palavras
de Manuela refletem sua longa caminhada na denúncia da violência política de
gênero no Brasil e em defesa do amor e da liberdade. Sem falar no seu
protagonismo enquanto vereadora, deputada estadual e deputada federal, quero
destacar os dois últimos livros: Sempre
Foi sobre Nós (organizado por ela) e
Por Que Lutamos? de sua autoria. Os
textos nos levam a refletir sobre nossa inserção social, nossas
responsabilidades e apontam caminhos para a construção de uma sociedade em que
haja respeito ao outro para que possam florescer os sentimentos mais dignos.
Caminho difícil em função de tantas experiências e tantas histórias
denunciadas. Ali não há lugar para agressões ou ódio. Ali há denúncia e a opção
por outro caminho.
Manuela D’Ávila
me representa e agradeço por ela não desistir. Como eu, há incontáveis mulheres
junto a ela, mesmo que, às vezes, suas vozes sejam um sussurro e venham de lugares
distantes. O desejo de um mundo melhor prevalecerá, enquanto mulheres como
Manuela e tantas outras se aliarem nas mesmas lutas e se empoderarem solidariamente
para penetrar em todo o tecido social.
Como mulher e
como mãe, também uno-me à Manuela no desejo de que aquela mãe reflita sobre o
mal que ela causou. Tomara. O começo é este.
É impensável qualquer justificativa para o ato da esposa do vice prefeito. Não há desculpa para a exposição de uma criança colocando-a em risco. É tanta baixeza, perversidade e maldade. Teu texto é perfeito, também sem rancor, dá uma aula de ética e humanidade.
ResponderExcluirPrecisamos de pessoas corajosas como a Manuela para derrotar está barbárie que assola o país.
ResponderExcluirO texto me representa, Rosa!
(Dante)
Essa crônica me representa. Ela é o grito de mulheres e homens solidários com quem sofre a perseguição, como agora aqui, Manuela. É preciso fazer ecoar o grito da indignação e resistência ao avanço da onda de maldades que proliferam neste tempo de trevas.
ResponderExcluirBeijo
Cada vez mais tais manifestações públicas de intolerância e ódio, de total ausência de empatia e respeito, me enchem de perplexidade e medo. Seu texto, como sempre, é exemplar, porque simples e distante do ódio que promove toda a insanidade que estamos presenciando. Precisamos mesmo de muito discernimento para afastar de nós esse cálice de vinho sujo. Grande abraço, Maria Rosa.
ResponderExcluirLindo seu texto, sensivel e comprometedor a luta politica e comprometedor como mulher e mae, a questao mais sagrada para a humanidade e que ninguem deve desrespeitar.
ResponderExcluirParabéns pelo texto! Mais do que oportuno e bem escrito. Concordo com cada palavra.
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