Desta vez foi uma amiga
muito próxima a ser assaltada. Ontem, foi uma pessoa apenas conhecida.
Anteontem foi uma pessoa desconhecida. Voltando no tempo, poderia fazer uma
lista interminável.
Não se trata, no entanto,
de saber se conhecemos ou não quem sobre a violência pronta a saltar de cada
canto da cidade. Trata-se de comprovar nossa vulnerabilidade e de podermos ser
a próxima pessoa. Mesmo assim, não é uma questão individual, mas a constatação de
que vivemos num tecido social esgarçado. Pior ainda, sem perspectivas de
melhorar. Ao contrário, confirmando a cada manhã o desmonte da rede de proteção
cuja responsabilidade é do Estado. Isto em nível municipal, estadual e federal.
Com a constatação do
terremoto a solapar nossa economia via entrega de nossas riquezas às
multinacionais por um governo ilegítimo, só temos perspectivas aterradoras.
Terremoto acompanhado da destruição de leis que garantem um mínimo de direitos
sociais.
Tudo isso com a
continuidade de uma grande imprensa que mascara a realidade e faz um trabalho
competente de alienação do povo do que realmente está acontecendo.
Então, o problema da
violência sobre uma amiga ultrapassa as fronteiras do individual, da
solidariedade para com quem conhecemos, mas nos chama mais uma vez para o quadro
de descalabro em que estamos mergulhando há tempos. E com perspectivas
péssimas.
Tudo isso reforça a tese
de não aceitarmos o derrotismo de que na política é tudo igual. Há exemplos de
bravura na luta contra uma maioria podre, e são estes que é preciso
identificar. Há lideranças no meio estudantil, nos sindicatos, no campo, nas
universidades que lutam e se põem a risco. É com eles que precisamos nos
alinhar.
O que não cabe é o
derrotismo, só serve para dar lugar aos espertos. Não podemos nos encolher na
indiferença e no cuidado apenas do próprio quintal. É legítimo sermos tomados
pela tristeza e pela sensação de impotência, mas não podemos desistir. Antes,
resistir.
O que fazemos hoje é
parte da história que deixamos aos nossos filhos e netos. E aos filhos e netos
de todos. É preciso lembrar.
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