sábado, 4 de fevereiro de 2017

Reverso

As manifestações de ódio lidas no face me deixavam muito mal até pouco tempo atrás. Bloqueei muitos dos que as escreviam nos comentários, porque não queria que contaminassem a minha página. E continuo não querendo. Alguns dos meus “amigos” também foram excluídos, nem tanto por manifestações de ódio, mas pela reprodução de mentiras sem critério de sites criados para alimentar um clima permanente contra PT, Lula, Dilma e suas políticas sociais.
Horrorizava-me com a impunidade que beneficiava políticos homofóbicos, defensores da ditadura e de torturadores, racistas e machistas. O que eu considerava de pior no cenário político do país me deixava sempre conectada e me fez literalmente adoecer mais de uma vez.
Mudou alguma coisa, hoje? Infelizmente, não. Mas, aceitei o convite da Mafalda e fui tomar a vacina contra o ódio com ela. Porque não deixo de me indignar com tudo o que continua acontecendo no país, mas procuro não conectar com a impotência diante dos fatos que estão acontecendo. Gasto o mínimo de meu tempo para tomar conhecimento deles. Antes, procuro reproduzir as manifestações contrárias, as ações que continuamente são feitas para enfrentá-las. E há muitas, espalhadas pelos mais diversos cantos do tecido social. Intelectuais, movimentos sociais, grupos de mulheres, estudantes, para citar apenas alguns exemplos, registram a história, movem ações na justiça, vão às ruas e erguem sua voz. O PIG (partido da Imprensa Golpista, como diz Paulo Henrique Amorim) é que teima em ignorá-las ou diminuí-las.
Constatamos num grupo de amigos que perdemos a batalha cultural desencadeada pelo poder das multinacionais para se apossar das riquezas do país com a cumplicidade de canalhas nacionais. Grande parte da população foi inoculada com inverdades que as deixaram cegas e surdas. Mas a história não se imobiliza, o que vale é continuar junto às forças que querem um mundo melhor. É com a consciência deste momento da história que temos que lidar. Não acredito que vá ver as mudanças desejadas, mas estarão aqui meus filhos e netos. E os filhos e netos de todos dos meus amigos e dos que não o são, que não têm culpa dos desmandos da geração que está depredando o país.

Reconhecer uma derrota não é ter sido vencido. É necessário para compreender como continuar lutando.