Acordei mais
cedo que o costume. O primeiro pensamento que abriu caminho foi o de
incredulidade com o que havia sido feito com o Estado no dia anterior. Mas era verdade. Milhares de famílias jogadas
na insegurança pela injusta perda de seu emprego. Uma tragédia cujo sentido só
é mais profundo quando se pensa na insensibilidade dos que a provocaram e continuam
a usufruir dos benefícios do Estado como se tudo estivesse no lugar certo. Como
se os que estão no poder fossem diferentes e melhores, como se não fossem
responsáveis pelas suas decisões, como se não houvesse outro caminho, como se
apenas os que os antecederam tivessem provocado a situação.
O atual (Des)governo assumiu sem ter um Plano
mínimo e demorou cerca de um ano e meio para propor algo para a segurança.
Aliás, ao assumir, sua primeira medida para a área foi anular concurso feito
pelo Governo anterior. Não foram pensadas as responsabilidades do Estado e a
falta de medidas contra a sonegação, contra privilégios a poucos e poderosos. Joga-se
com a desinformação da maior parte do povo que é abastecido cotidianamente pelo
pensamento único da grande imprensa. Povo, que tem que trabalhar cada vez mais
para sobreviver e que não participa das instâncias de discussão e análise do
que acontece. Povo, cuja escola para seus filhos vem sendo paulatinamente
deteriorada. Povo, cujo acesso à cultura sempre foi um privilégio de uma
minoria. Da incompetência - termo que pode englobar outras incapacidades da
equipe que está no poder - em tomar medidas que ampliem as receitas dos cofres
públicos, do descompromisso com o gerenciamento do bem público, da
despreocupação com a qualificação dos Serviços à população, da crítica rasteira
ao Governo anterior, surgiu o descalabro.
Uma receita
prevista pelos que acompanham as artimanhas e as bandalheiras do poder com o
beneplácito de boa parte da população.
Tomara que do
lamento e da indignação surjam forças para mudar tudo isso. No entanto, o
caminho se mostra longo e muito sofrimento continuará a acontecer. Os respingos
atingirão a todos independente de nossa vontade.

