A pequena árvore
emerge de uma fenda. Desvela a energia e a tenacidade que venceram a invasão do
concreto. Não se vê a fenda, pode-se intuí-la pelo desgaste da lateral do
viaduto. Tantas chuvas a penetraram, tanta fuligem e incessantes tremores do
contínuo tráfego. No entanto, ela se tornou prenhe de vida, testemunha uma
energia que poderá estar em outros e ocultos lugares.
Pode-se ver, na
corrosão da lateral da via, a potência do tempo que se anuncia na superfície
descascada com suas linhas e manchas, com seus traços escorridos pela umidade
infiltrada. Trouxe consigo o inesperado. Uma planta no meio da concentração de construções
e ar poluído de um centro urbano que desafia os limites da racionalidade de seu
viver.
As modificações
no concreto, como em cada fractal do universo, começam no primeiro instante e se sucedem ad infinitum. Frações infinitesimais de tempo desenham o caminho para a
diferença, sempre única na multiplicidade da existência.
A impermanência
do ser emerge da fenda como testemunho da obstinação da vida, sob condições insuspeitadas,
em subterrâneos inimagináveis, em microscópicos universos de possibilidades.
A árvore está ali, soberana, a cumprir seu destino. Espelho
para olhos atentos.
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