Ele é um bebê que nasceu numa noite de muitos nascimentos, como em outras noites longínquas dos meus próprios filhos e outras mais recentes, de meus outros netos. Eu e os outros avós ficamos no hospital para vê-lo logo, nos seus primeiros momentos fora da proteção materna. Ali, o tempo reduziu-se àquela espera, e o espaço concentrou-se naquela sala como se fosse o instante inicial que antecedeu a formação do universo, nada mais interessava fora daquilo.
Quando ele apareceu na pequena sala envidraçada, no berço padronizado e com seu pai ao lado, tudo em volta sumiu e a luz se mostrou focada apenas neles, sem sons, somente gestos mediados pela parede de vidro que nos separava e, ao mesmo tempo, nos permitia a comunicação dos olhares, sorrisos e mímicas. A grande comunicação, naquele transcurso, foi a do coração que se expandia para fazer-nos únicos e ligados num só bater acelerado.
O bebê nu e com apenas um pedacinho do cordão umbilical, já destacado do ninho em que foi gerado, o pai ao lado, curvado sobre ele, com roupa verde claro, própria para ambientes assépticos de hospital, a acariciá-lo e a falar-lhe ternamente, num retrato amoroso da acolhida do seu primeiro filho. O pai começando a partilhar a tarefa que tinha cabido à mãe nos nove meses precedentes, ou, como se diz agora, quarenta semanas.
A roda da vida tinha dado a primeira grande volta, ele tinha começado o seu caminho aqui fora. Responsabilidades redobradas de seus pais, possibilidades lançadas para formar a si mesmo no tempo por vir.
Ele nasceu e eu esqueci todas as notícias que acenam para um mundo hostil. Neste esquecimento, eu também renasci junto à renovação do desejo de continuar a fazer qualquer coisa para que o mundo seja melhor para ele e para todas as crianças que nasceram no mesmo instante que ele, antes dele e que continuam nascendo.
A diferença neste nascimento é que ele é sempre único, como o é cada manifestação da vida. Vida que seria diferente em todo o planeta, se o nascimento de cada criança estivesse presente nas decisões dos adultos, em casa e nos diferentes espaços de poder.
Adorei mae!! Muito lindo o texto...
ResponderExcluir:)
Beijos!!! Mauricio
Lindo mãe. Me fez relembrar esse momento mágico.
ResponderExcluirBeijos
Emocionante!!!!! Cheio de amor, lindo! Parabéns! Regina
ResponderExcluirQue Lindo! Esse texto tem muita relação com o tema que trabalhamos com as nossas mulheres no último encontro. Acho que seria muito interessante levá-lo para a oficina de inclusão digital. Talvez como uma forma de compartilhar sentimentos e estreitar laços.
ResponderExcluirMuito emocionante!
Beijos,
Caroline Galvão
Emoção é o que se sente ao ler o texto.
ResponderExcluirmuito lindo
obrigada
Emocionante, Maria Rosa. Todos têm direito de vir ao mundo cercados e carinho. Infelizmente, não é assim.
ResponderExcluirBjs.
Geni