Em março de 2010, um jornal da cidade escreveu que, nos dois últimos anos, a escola particular de Ensino Fundamental no nosso estado havia recuperado alunos e retornou ao patamar de 2006.
O texto destacava o fenômeno de migração da classe C para a escola particular almejada desde há muito tempo, bem como a nova lei de filantropia que exigia para as escolas filantrópicas a oferta de ações sociais e “bolsas de estudo para alunos pobres”.
Quanto à reação das próprias escolas, foram elencadas medidas por elas tomadas para enfrentar a situação, porque entenderam que era preciso “reformular para sobreviver”, que se traduzia em “trabalhar na oferta de novos serviços como forma de tornar seus estabelecimentos mais atrativos”.
Dentre as medidas elencadas estavam: marketing, criação de estacionamento, laboratórios modernizados, inserção de recursos tecnológicos em sala de aula, sistema de segurança, horário integral para as crianças e a possibilidade de permanecerem além do período de aulas, atendendo às necessidade do horário de trabalho dos pais.
Por outro lado, enquanto uma titular da Secretaria de Educação do Estado pronunciava-se com um profundo desdém pelos professores, culpabilizando-os pelos males existentes, as escolas particulares sequer mencionavam o professor quando afirmavam melhorar a escola. Ele era um ser invisível. Situação muito diversa da minha geração em que um(a) professor(a) solicitado(a) a dizer sua profissão, era com orgulho que respondia: “Professor do Estado”, pois o cargo exigia boa formação, concurso e o seu desempenho era valorizado e reconhecido.
Como fazer, então, com que as crianças e jovens de hoje, bem como seus pais voltem a admirar e a respeitar o seu professor? O respeito é consequência do reconhecimento do outro e as escolas não apontaram para novas medidas didático-pedagógicas, para uma reformulação ou para um projeto pedagógico inovador, sequer para uma proposta para qualificar seu corpo docente ou incentivo para tal.
Percebe-se ali a raiz do esvaziamento das licenciaturas.
Hoje, parece que a situaçao é ainda pior, ele é refém da “clientela” que atende e só alcança visibilidade na página policial, quando é agredido de diferentes formas e, até, assassinado por motivos fúteis.
Uma outra forma de funcionamento da escola não se dá de um dia para o outro. Mas vale lembrar que, em alguns países europeus, são os melhores alunos os aceitos para serem professores, passando por seleção adequada, em escolas com recursos e altos salários.
Para as escolas particulares, esperemos que consigam marcar seu lugar para além da reprodução da sociedade competitiva em que estão inseridas.
Para as escolas públicas, que a existência de uma realidade onde o professor consegue ser visível e valorizado seja o horizonte do novo governo do nosso estado e que a visita do atual secretário de educação às escolas da rede se transforme em ações concretas e urgentes que apontem qual o caminho que será seguido nos próximos anos.
A visibilidade do professor deve dar-se na recuperaçao da paixão de ensinar e aprender.
Maria Rosa!! Ler teus textos é uma forma silenciosa de conversar contigo.os teus textos refletem na integra tua maneira de ser: sensível, inteligente,amorosa e profunda ao falar e encarar a vida. Ser teu amigo é estar conectado com tudo de bom que a vida pode nos oferecer!! Um abração com admiração e carinho,Fávaro
ResponderExcluirMaria Rosa, expões com grande lucidez o que acontece no nosso ensino nestes tempos de "modernidade" em que o Professor tem papel secundário, onde o computador para joguinhos e "copiar/colar" temas de estudo é bem mais visível. Teu texto tem que ir para os meios de comunicação, escrito e falado, talvez nossos gestores, que também são pais de alunos
ResponderExcluiratentem que algo não está correto no enfoque que estão dando para a "educação e cultura"
Com carinho, Mariah
Mirosa, em algumas décadas, os professores passaram de mestres a "tias" e o caminho de volta, a meu ver, passa por uma mudança muito profunda na sociedade em geral, que hj valoriza o ter e não o ser. Consumo consciente, valorização do ser humano, importância ao que realmente é importante...educar esta geração para, quem sabe, um futuro mais digno...Bjks
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