segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Alegria contida


Acordei no meio da noite com o peito oprimido e com sensação de ansiedade, havia dormido pouco?, o que havia acontecido?, por que eu me sentia com medo? Lembrei que o domingo havia terminado bem, não como eu desejaria, mas muito bem diante de tudo o que havia ocorrido nos dois últimos dois meses de campanha onde o poder econômico da máquina do governo esteve o tempo todo a favor do atual presidente. Sem falar nos últimos quatro anos. Eu tinha certeza de que LULA venceria, mas o perigo estava sempre rondando. Chorei muito diante do Presidente LULA enquanto fazia seu discurso de líder onde resgatava todos os nossos desejos para o país.  Foi um choro gritado, soluçado e sem conseguir parar. Eu estava feliz e queria rir, mas chorava. Precisava expulsar a ansiedade nas lágrimas contidas diante das inúmeras injustiças praticadas pelo governo que está terminando. Precisava aliviar meu corpo e minha alma das tensões que não encontravam fim, porque as barbáries deste governo eram diuturnas. Incessantes. Então veio o cansaço e fui dormir. Adormeci logo. Por isso, não entendia as razões de ter acordado no sufoco. Eu havia optado por não ir festejar na rua, queria estar recolhida, precisava de isolamento para recarregar minhas energias. Eu me sentia esgotada e minha alegria era uma alegria contida, como eu havia dito a uma amiga algumas horas antes. Contida por quê? Não tenho certeza das razões. As que consigo identificar estão ligadas aos medos que não deixam minha alegria explodir. Medos construídos a partir das ameaças e ações que o atual presidente pode desencadear nestes dois meses que lhe restam. Sabendo de sua maldade e de sua falta de limites. Dele e do grupo que o cerca. Nosso primeiro passo foi alcançado que foi eleger o Presidente LULA, apesar dos milhões que ainda votaram nele apesar de todos os horrores advindos do governo dele. Uma fantástica vitória que tem de valorizar e saborear como um fruto raro entregue pelas forças da natureza brasileira. Na verdade, uma façanha de milhões de brasileiros, muitos dos quais em linha de frente e ao alcance das garras do poder. Muitos perderam a vida neste enfrentamento. Devemos festejar também por eles, pela sua memória. Minha forma de festejar foi em recolhimento, sintonizando-me com todas as boas energias que estão explodindo país afora. Eu disse várias vezes que já alcancei uma idade que não vai me permitir ver a sociedade brasileira alcançar um nível de civilidade desejado, mas estive lutando pelos meus filhos e, principalmente meus netos. E todos os filhos e netos do país.

                Como disse LULA, nosso Presidente, só envelhece quem não tem uma causa e a causa dele é cuidar do povo brasileiro, por isso ele não envelhece. Neste sentido, apesar da idade cronológica, eu também não envelheço porque estarei sempre ao lado de quem luta por um governo que cuida deste povo tão culturalmente rico, sofrido e resistente. Sei que milagres não vão acontecer, nos últimos quatro anos o país foi massacrado e saqueado. Espero, no entanto, ver os sinais de um novo tempo nas ruas sem crianças a pedir ajuda para comer.

            Que as forças do universo estejam em sintonia com o Presidente LULA nas suas decisões. Milhões de brasileiros espalhados pelo país, embora mais concentrados no Nordeste, também estarão ao seu lado.