Acordei no meio
da noite com o peito oprimido e com sensação de ansiedade, havia dormido pouco?,
o que havia acontecido?, por que eu me sentia com medo? Lembrei que o domingo
havia terminado bem, não como eu desejaria, mas muito bem diante de tudo o que
havia ocorrido nos dois últimos dois meses de campanha onde o poder econômico da
máquina do governo esteve o tempo todo a favor do atual presidente. Sem falar
nos últimos quatro anos. Eu tinha certeza de que LULA venceria, mas o perigo
estava sempre rondando. Chorei muito diante do Presidente LULA enquanto fazia
seu discurso de líder onde resgatava todos os nossos desejos para o país. Foi um choro gritado, soluçado e sem conseguir
parar. Eu estava feliz e queria rir, mas chorava. Precisava expulsar a ansiedade
nas lágrimas contidas diante das inúmeras injustiças praticadas pelo governo
que está terminando. Precisava aliviar meu corpo e minha alma das tensões que
não encontravam fim, porque as barbáries deste governo eram diuturnas.
Incessantes. Então veio o cansaço e fui dormir. Adormeci logo. Por isso, não
entendia as razões de ter acordado no sufoco. Eu havia optado por não ir
festejar na rua, queria estar recolhida, precisava de isolamento para recarregar
minhas energias. Eu me sentia esgotada e minha alegria era uma alegria contida,
como eu havia dito a uma amiga algumas horas antes. Contida por quê? Não tenho
certeza das razões. As que consigo identificar estão ligadas aos medos que não
deixam minha alegria explodir. Medos construídos a partir das ameaças e ações
que o atual presidente pode desencadear nestes dois meses que lhe restam.
Sabendo de sua maldade e de sua falta de limites. Dele e do grupo que o cerca. Nosso
primeiro passo foi alcançado que foi eleger o Presidente LULA, apesar dos
milhões que ainda votaram nele apesar de todos os horrores advindos do governo
dele. Uma fantástica vitória que tem de valorizar e saborear como um fruto raro
entregue pelas forças da natureza brasileira. Na verdade, uma façanha de
milhões de brasileiros, muitos dos quais em linha de frente e ao alcance das
garras do poder. Muitos perderam a vida neste enfrentamento. Devemos festejar
também por eles, pela sua memória. Minha forma de festejar foi em recolhimento,
sintonizando-me com todas as boas energias que estão explodindo país afora. Eu disse
várias vezes que já alcancei uma idade que não vai me permitir ver a sociedade
brasileira alcançar um nível de civilidade desejado, mas estive lutando pelos
meus filhos e, principalmente meus netos. E todos os filhos e netos do país.
Como
disse LULA, nosso Presidente, só envelhece quem não tem uma causa e a causa
dele é cuidar do povo brasileiro, por isso ele não envelhece. Neste sentido,
apesar da idade cronológica, eu também não envelheço porque estarei sempre ao
lado de quem luta por um governo que cuida deste povo tão culturalmente rico, sofrido
e resistente. Sei que milagres não vão acontecer, nos últimos quatro anos o país
foi massacrado e saqueado. Espero, no entanto, ver os sinais de um novo tempo
nas ruas sem crianças a pedir ajuda para comer.
Que
as forças do universo estejam em sintonia com o Presidente LULA nas suas
decisões. Milhões de brasileiros espalhados pelo país, embora mais concentrados
no Nordeste, também estarão ao seu lado.