A estrada desliza,
O pensamento antecipa os sons
do aeroporto, adiante, envolto em voos e pousos
trampolim para alhures,
incessante,
na liberdade de ir e vir,
parar e retroceder,
pertencer.
A ladear as margens, muros e arames farpados,
depósito de abandonados,
o lado de lá, invisível para o lado de cá.
À espreita, olhos danados
em corpos depositados
e aprisionados,
desejos reprimidos,
resistências
fustigadas,
na inexorável permanência do tempo,
num mesmo instante, sem futuro,
esquecidos.
Dois mundos tão próximos, tão distantes,
um finge que o outro não existe,
Até quando?
A caminho do aeroporto de Guarulhos