quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Dois Mundos






A estrada desliza,

O pensamento antecipa os sons

do aeroporto, adiante, envolto em voos e pousos

trampolim para alhures,

incessante,

na liberdade de ir e vir,

parar e retroceder,

pertencer.

A ladear as margens, muros e arames farpados,

depósito de abandonados,

o lado de lá, invisível para o lado de cá.

À espreita, olhos danados

 em corpos depositados e aprisionados,

 desejos reprimidos,

 resistências fustigadas,

na inexorável permanência do tempo,

num mesmo instante, sem futuro,

esquecidos.

Dois mundos tão próximos, tão distantes,

um finge que o outro não existe,

Até quando?



A caminho do aeroporto de Guarulhos